Facinora: Carnificina Thrash

Quinta, 14 de Outubro de 2010 – 13h23O quarteto formado por Igor Rodrigues (Guitarra/Vocal), Eder Nunes (Guitarra), Anderson Ferret (Baixo) e Allem Villela (Bateria) pratica um Speed/Thrash Metal que nos remete a década de 80, nos fazendo bangear e lembrar que se por um lado os bons tempos não voltam mais, mas que é possível fazer um som baseado naquela época sem soar datado, e cheio de personalidade e diferenciais que podem ser ouvidos em seu primeiro álbum “full”, chamado Hell Is Here, que fora lançado recentemente e vem obtendo ótimas críticas na cena nacional!
Nesta entrevista feita com o vocalista/guitarrista Igor Rodrigues, ele nos conta da origem do nome, capa do álbum, Big Four e uma agradável surpresa inserida no CD!
Confiram:

João Messias The Rocker: Já vou logo de cara dizer que curti muito o nome de vocês, que vai totalmente ao estilo da banda, que é o Speed/Thrash. Quem foi que sugeriu este nome para a banda?
Igor Rodrigues: Foi o Allem que teve essa idéia, queríamos um nome agressivo e forte!
Em inglês tava foda, pois todos o nomes que cogitávamos, já era usado por alguma banda, aí recorremos ao nosso idioma de origem.

The Rocker: O release de vocês conta que vocês fazem um metal na melhor tradição mineira, mas ao meu ver a banda conseguiu ir mais além, pois vocês conseguiram fazer um som baseado na escola americana dos anos 80, mas com vários diferenciais, principalmente no que se refere aos vocais, que fogem daquele esquema do gutural ou berrado, nos fazendo lembrar de bandas como Anthrax (fase Joey Belladonna), Deliverance, e o nosso Acid Storm. Queria a opinião de vocês a respeito do meu comentário e o que acham das bandas acima?


Igor:
É cara, o vocal é um pouco diferente do normalmente usado mesmo.Tem pessoas que não vão gostar e tem pessoas que vão gostar. E sobre o seu comentário, eu curto muito o Anthrax na fase do Belladonna. Acho ele um vocalista muito foda e carismático. O Among the Living dispensa comentários. Legal você ter perguntado sobre o Acid Storm, pois conheci há pouco tempo e achei muito animal também. O que eu comprei foi o Biotronic Genesis, estou ansioso para escutar mais material dessa banda. Agora sobre o Deliverance eu só conheço de nome, nunca escutei nenhum som deles, depois eu vou procurar e ver o que acho.

The Rocker: O CD de vocês Hell Is Here é um prato cheio para os fãs dos anos 80, em especial aquela galera que tem o seu colete de patches e seu MVP Pony Branco, mas o que “ganha o jogo” logo de cara é a capa, que vai num padrão mais gore, com os humanos no açougue e os animais carniceiros, arte feita por Jobert Mello, nos fazendo vir a mente bandas como o Necrophagia. Como foi desenvolver este conceito para a arte de Hell Is Here, vocês já tinham tudo em mente ou o artista apareceu com algumas “surpresas”?
Igor:
Nesta capa demos carta branca para o Jobert trabalhar. Passamos as letras, conceito das musicas e as musicas para ele curtir a idéia e falamos para ele: Se vira ai cara.
Ai saiu essa carnificina ai, achei muito foda! Ele adora capas nessa linha tipo Destruction e Slayer.

The Rocker: Apesar de terem acertado a mão na capa do CD, vocês não ficaram receosos em serem confundidos com uma banda de outra linha musical?
Igor:
Nada cara, sem receios!

The Rocker: Hell Is Here tem a seu favor o balanceamento do track list, não se resumindo a faixas poderosas e o restante do material ser apenas para complemento. Quais foram os critérios para a ordem das faixas?
Igor:
Foi simples cara!
Apenas nos reunimos no estúdio com algumas cervejas e testamos qual seria a melhor forma que soariam as 10 músicas juntas.

The Rocker: Source Of Madness conta com a participação do guitarrista Mark, da banda Chakal, um dos patrimônios da terra dos inconfidentes. Como surgiu a oportunidade e o que acham do som da banda?
Igor:
Eu sou um pouco suspeito para falar do Chakal, pois é uma banda que admiro muito. Já fui há uns 9 shows do Chakal e é uma banda que eu não consigo enjoar. A Source of Madness foi a ultima musica que compomos antes das gravações, eu não tinha composto o solo desta parte ai um dia eu estava de bobeira no serviço e imaginei isso. Quando convidei o Mark e vi que ele ficou animado, eu fiquei feliz demais.
O cara toca muito e gente boa demais.

The Rocker: E continuando a falar das faixas do trabalho, interessante que após o final da faixa de encerramento, The Evil, há uma música escondida, que é uma espécie de Blues/Thrash que fala de cachaça e mulher. Por que lançá-la desta forma e não como uma música regular no CD? Já chegaram a excuta-la ao vivo?

Igor: Blues é uma grande paixão que eu tenho, mas nunca achei que seria legal colocar isso no som do Facínora. Só que mostrei isso aos caras e eles gostaram, ai nós fizemos esse som sem vergonha. Mas nós nem tinhamos planos de gravar ela ate que a maldita cachaça fez com que eu a tocasse no primeiro dia de gravação ai pensamos: Por que não gravar?
Ai achamos melhor deixar ela dessa forma ai, escondida. Uma vez ou outra quando o nível etílico nosso está alto demais nós a tocamos!

The Rocker: Hell Is Here fora lançado de maneira independente. Visto que são de Minas Gerais, vocês tentaram lançar por algum selo, como a Cogumelo?
Igor:
É cara, saiu independente e totalmente na raça. Nós chegamos a mostrar o CD para eles, mas não demonstraram interesse em lançar no momento.

The Rocker: Com um CD novo na praça, como estão os preparativos para os shows de promoção? Há planos para tocarem em São Paulo ou outros estados?
Igor:
O ideal neste momento seria fazer uma tour, mas não temos condições financeiras para isso, tendo em conta que estaremos pagando dividas referente ao CD até o fim do ano.
Mas estão aparecendo alguns shows em alguns estados. Estamos fazendo uma força e indo á alguns lugares mais distantes de nossa cidade.

The Rocker: E como estamos no Thrash, este ano fora exibido nas telas de todo o Brasil o Big Four, que consiste num show que os quatro maiores nomes do Thrash americano (Anthrax, Slayer, Megadeth e Metallica) fizeram na Europa, e que inclusive muito em breve terá sua versão em DVD. Vocês chegaram a assistir o show e o que acham da atual fase das bandas acima?

Igor: Ainda não assisti, mas já encomendei o meu DVD. Acho que as estas bandas já tiveram o seu auge na carreira com grandes clássicos e nunca mais será a mesma coisa. Ainda curto muito os trampos que o Slayer vem fazendo, o ultimo do Megadeth também ficou bom.

O último do Metallica eu nem curti, achei muita enrolação e firula. O Anthrax já faz um tempo que não lança material, mas eu acho o We’Ve Come For You All um bom álbum!

The Rocker: Para encerrar, além do Metal, outra grande paixão dos brasileiros é o futebol, e vi no encarte do CD que alguns membros da banda são torcedores do Atlético Mineiro, que atualmente não vive um grande momento no Campeonato Brasileiro. Vocês acham que essa maré ruim vai passar ou ano que vem teremos mais um clube grande na Segundona?

Igor: Eu e o Allem somos Atleticanos, o Eder é Cruzeirense e o Ferret é Americano (isso mesmo, America Mineiro, que se bobear estará na Série A em 2011 – risos)!
Na minha opinião o Galo já caiu neste ano, não tem mais escapatória. É foda, pois o time fez um investimento muito grande na comissão técnica, elenco e a infra estrutura do time é boa. Simplesmente não tem explicação a situação do Galo.