Entrevista – Elaine Thrash

Sexta, 03 de Setembro de 2010 – 15h05Elaine Thrash é uma batalhadora!
Atriz, dançarina vocalista, apresentadora e escritora, lançou recentemente seu primeiro livro chamado Da Depressão Á Criação, cuja obra fala de emoções vividas e /ou observadas pela autora.
Utlizando de poemas na maioria da obra, o livro se torna um presente a todos que gostam de cultura por utlizar uma linguagem inteligente, forte e pessoal.
Nesta entrevista, Elaine fala além do livro, de seus outros projetos!
Confiram a entrevista!

The Rocker: Olá Elaine! Vou começar a nossa entrevista falando do seu livro “Da Depressão Á Criação”, onde você relata que a concepção do mesmo surgiu de experiências pessoais e não pessoais. Como foi juntar todas estas idéias e quando você viu que era possível conceber um livro?
Elaine Thrash:
Sempre escrevi desde a infância. Gostava de deixar a imaginação rolar quando a professora propunha algum tema para as aulas de redação… E sempre que eu tinha algo em mente ou eu escrevia ou eu desenhava… E assim fui levando, até chegar a um ponto onde percebi que tinha muito material escrito em caderninhos, bloquinhos, papeizinhos soltos… O passo seguinte foi digitar um pouco dessas coisas e ir deixando no computador… Eu sabia que um dia isso poderia virar um livro, mas achava utópico publicar… Imagine! Quem sou eu para publicar um livro? – era o que eu pensava… Mas a idéia sempre surgia em mente. Até então era um sonho. Foi quando conheci um amigo que tinha o contato da Editora Giostri… Fui lá conhecer o trabalho deles, vi como é feito o livro passo a passo e me senti segura para publicá-lo.

The Rocker: Algo muito interessante no seu livro, é que a publicação é gostosa de ler, tendo a maioria dos textos escrita em forma de versos. Por que de fazer desta forma e como você avalia a sua repercussão?
Elaine:
Como eu disse anteriormente, fui acumulando muitos textos, tanto em prosa, como em verso. Quando resolvi fazer o livro “Da Depressão à Criação”, a idéia era juntar o material que tinham a ver com o momento pelo qual passei: a depressão. E como a maioria das coisas que eu escrevia naquela época era em forma de verso, acabou que o livro ficou com mais poemas do que crônicas. E muitos textos foram limados desse primeiro livro. A idéia era fazer uma obra de no máximo 100 páginas, exatamente para não se tornar algo maçante para o leitor. E como os textos que escrevi são comparativamente extensos em relação aos poemas e ao número de páginas, o editor achou melhor não colocá-los, priorizando o que é mais forte e marcante, ou seja, a poesia. E como o meu editor se tornou uma espécie de consultor, conselheiro e amigo, confiei no trabalho dele e percebi que ele tinha razão, afinal as pessoas que me procuram para comentar sobre o livro, o fazem com muito gosto, elogiando a fluência e a facilidade da leitura.

The Rocker: Da Depressão Á Criação fora lançado pela editora Giostri. Como foi o convite e o que você está achando desta parceria?
Elaine:
Na verdade eu que fui em busca da editora, por indicação de um amigo que conheci no Senac, quando fiz um curso de Musical para Teatro lá. O editor me explicou como funcionaria a divulgação e a distribuição do livro, bem como o investimento que eu teria na impressão do mesmo e eu vi que estava ao meu alcance e resolvi assinar o contrato.

The Rocker: Você fez o lançamento do livro no final de junho na Livraria da Vila, um local de fácil acesso e ótima localização. Como pintou a idéia de lançar o livro neste espaço?
Elaine:
O meu editor cuidou de tudo. Ele, por já ter feito diversos lançamentos de outros títulos da Editora Giostri, sugeriu a Livraria da Vila (unidade Alameda Lorena), pois o ambiente lá é agradável, a livraria possui um auditório – o que possibilitou o complemento do evento que foi o pocket show da banda ChimeraH, e o acesso é fácil. A única coisa que eu tinha pedido a ele era exatamente que fosse em local de fácil acesso. E nem me preocupei com mais nada!

The Rocker: Outro ponto interessante (e louvável) foi a participação da banda ChimeraH, que fez um pocket show. Por que você escolheu uma banda da qual não faz parte?
Elaine:
É claro que, se eu pudesse, eu colocaria minhas bandas para tocar. Mas como eu daria atenção aos meus convidados? Foi o próprio editor que sugeriu que o evento deveria ter um “algo a mais” e comentou sobre a possibilidade de alguma banda de amigos meus tocar lá. Eu tinha várias opções, afinal conheço diversas bandas nacionais maravilhosas e talentosas graças ao Programa Metalsplash! No entanto, os músicos da banda ChimeraH, além de serem de Guarulhos assim como eu, são sempre muito atenciosos comigo, dedicados, responsáveis e nunca pisam na bola… E eu conheço o guitarrista Rogério “Portuga” há pelo menos uns 10 anos. Ele tem um estúdio em Guarulhos, o Flight Studio, onde eu sempre ensaiava lá com minhas antigas bandas e onde até hoje vou lá para gravar algumas coisas, quando preciso. O Portuga sempre quebra altos galhos pra mim!

The Rocker: Poucos sabem, mas além de escritora, você é atriz, apresentadora e vocalista da banda Insane Kreation. Comente-nos como um pouco sobre estes trabalhos e como faz para que uma atividade não afete a outra?
Elaine:
Na verdade as pessoas me conhecem como Multiwoman, pois faço muitas coisas ao mesmo tempo e sem que uma atividade atrapalhe a outra. Literalmente me viro nos trinta e sempre que existe alguma brecha no meu tempo, já procuro preencher com alguma coisa… Seja um curso novo, seja um projeto, seja um freela… O que não consigo é ficar parada. E sempre vou dando um jeitinho aqui, outro ali… Tudo numa boa! Por exemplo… Atualmente estou atuando no evento Noites do Terror do Playcenter. É bem cansativo, mas muito gratificante. E acaba não sobrando muito tempo para as outras coisas, mas aproveitei que minha banda fez uma pausa de shows e ensaios para poder gravar o primeiro EP, então estou sossegada nesse trabalho. Já com relação ao programa que apresento, o mesmo também está pausado, pois o diretor Thiago Pires está negociando um outro veículo onde iremos exibir o programa, além de estar providenciando as reformulações do mesmo. Enquanto isso vou prosseguindo com minhas outras atividades… Escrever, eu escrevo sempre. Sou a mulher-bloquinho, pois ando sempre com um na bolsa… Surgiu uma idéia eu vou lá e faço um rascunho, depois com calma, organizo e desenvolvo o texto direitinho. E não para por aí… Estou sempre de olho em freelas e demais coisinhas que consigo fazer nas horas em que não estou trabalhando! Mês passado gravei dois videoclipes e este mês gravei duas músicas para uma banda chilena que me convidou para uma participação especial! Tudo isso organizadamente nas horas vagas!

The Rocker: Sei que esta é uma questão muito pessoal e que cada pessoa pensa de uma forma, mas assim como você que canalizou diversas idéias, anseios, frustrações, canalizou todos esses acontecimentos e transformou em um livro, você acha que se muitas pessoas transformassem estas “coisas pesadas” em algo consistente, teríamos um mundo melhor para viver?
Elaine:
Sem dúvida nenhuma. Se a pessoa não canaliza essas coisas e transforma em algo bom, uma hora isso explode de forma negativa, aí temos um psicopata, um assassino, um estuprador, um bandido, um suicida… A pessoa pode se tornar o que ela quiser ou o que ela deixar que queiram. Basta ter atitude, opinião, valores, sabedoria e força de vontade para não trilhar um caminho ruim. Eu consegui me livrar de diversas situações ruins graças à arte e ao amor. Quando eu pensava em fazer qualquer besteira comigo, eu logo pensava no amor dos meus pais e da minha irmã e logo eu desistia de fazer a besteira. Mas ainda sentia um incômodo, então eu escrevia, ou desenhava, ou cantava, ou extravasava em algum personagem no teatro. E sou feliz assim, mesmo com essa vida dura de matar um leão por dia, eu me considero uma pessoa feliz e realizada.

The Rocker: Bom, nesta questão queria sua opinião sobre alguns tópicos que estão presentes nas mentes dos rockers: Galeria do Rock, Redes Sociais, Wacken Open Air e Shows Internacionais x Shows Nacionais.
Elaine:

• Galeria do Rock: Ainda é um local marcante para os rockeiros e headbangers de São Paulo. Apesar de ter sido dominada por diversos outros estilos que não sejam ligados ao verdadeiro Rock ou ao Metal, a Galeria é um marco para nós, mesmo eu nunca tendo sido uma frequentadora assídua. Eu no máximo passava por lá rapidamente para comprar alguma coisa ou para encontrar alguém que precisasse falar comigo, mas nunca fui de bater cartão e nem de ficar mais do que duas horas “panguando” por lá a esmo.
Redes Sociais: Todo artista deve saber utilizar as redes sociais, pois hoje, com a febre de acessos à internet, qualquer pessoa tenta te achar através do Twitter, do Orkut, do Facebook, ou sei lá mais o que esse povo inventa… Então é fundamental para quem quer divulgar seu trabalho, mexer pelo menos um pouco por dia nesses recursos e abusar das facilidades dos mesmos. A visibilidade é boa, mas é preciso cuidado para não se expor além do necessário e acabar se “queimando” por aí…
• Wacken Open Air: Nunca fui e morro de vontade de ir. Mas lá na Alemanha mesmo. Essa idéia de Wacken Open Air no Brasil (se um dia conseguirem fazer isso…) acho que descaracteriza um pouco o evento, assim como o tal do Rock In Rio em Lisboa (?!?!?!). Se for pra fazer um evento desse porte aqui no país, que criem algum outro, com outro nome, porém com as mesmas qualidade e estrutura! Nós, headbangers, merecemos!
Shows Internacionais e Shows Nacionais :Há um bom tempo perdi um pouco a vontade de ir a grandes shows internacionais. Acho que o último que eu fui com gosto e ainda assim porque sou extremamente fã da banda, foi o do Opeth, em 2009. Fui de graça ainda, porque acho que nem teria verba para bancar, mas esse eu daria um jeito! Porém, diversos outros shows rolaram aqui no Brasil, mas não tive a menor vontade de ir… Primeiro porque os ingressos estão absurdamente cada vez mais caros, e depois porque nesses shows grandiosos eu quase não consigo aproveitar muita coisa… Sou baixinha, não enxergo nada e ainda sou massacrada no meio da galera… Pagar pra ver formigas no palco e ainda sofrer com o empurra-empurra dos trogloditas? Melhor colocar todos os álbuns da banda em questão no PC e ouvir em casa, no talo! E com relação aos shows nacionais, estou dando mais valor e preferência a estes. Sempre comentávamos no programa que o condenado gasta todo o salário pra ver uma banda gringa tocando, mas quando rola algum show de banda nacional e menos conhecida, a um preço baixíssimo (cerca de 10 ou 15 pratas), o infeliz não comparece… E depois reclama que não tem show nem lugar para ir! Claro que tem! Toda semana tem pelo menos algum show com 5 ou 6 bandas nos picos undergrounds da cidade. Basta se informar, tomar vergonha na cara e marcar presença. É muito mais legal, (claro que é a minha opinião), ir a shows das bandas dos meus amigos e conhecidos, sabe? Um show mais intimista, mais barato, mais gostoso de curtir… Melhor do que ver os baba-ovos de gringos se matando pra conseguir enxergar alguma coisa no palco, e pior: pagando ridiculamente caro por isso…

The Rocker: Antes de encerrar, conte-nos se pretende lançar outros livros e se seguirão esta mesma direção.
Elaine:
Já tenho outros livros em mente… Estou organizando o material ainda, mas pretendo continuar com poemas, afinal muitos não entraram nesse primeiro livro… E de abril (mês em que entreguei os textos para o editor) até agora já escrevi mais alguns. Também tenho materiais escritos que seguem uma outra linha. Um deles é uma biografia de uma pessoa muito especial, mas só vou mostrar no ano que vem, se Deus quiser.

The Rocker: Elaine, muito obrigado pela entrevista! O espaço é seu!
Elaine:
Em primeiro lugar gostaria de agradecer o interesse em meu trabalho, assim como o carinho que você dedicou à minha vida artística desde o seu primeiro contato via Facebook! São de pessoas como você, assim tão esforçadas, inteligentes e atenciosas que nós artistas precisamos para fazer nosso trabalho valer a pena! Agradeço mesmo pelo espaço e pela oportunidade de poder divulgar um pouco da minha arte que, ainda não é tão conhecida mundo afora, mas pelo menos é feita de coração, com muita garra, muito esforço, muita correria e muita superação de obstáculos! E já que o espaço é meu, fica aqui o recado para a galera interessada em adquirir meu livro: Basta entrar em contato via email mesmo (elaineoliveirarte@globomail.com). Algumas livrarias estão vendendo, mas comprando de mim é bem mais divertido e acaba indo com dedicatória e tudo! E aguardem mais novidades minhas por aí! Um grande abraço e mais uma vez, João, muito obrigada pela enorme força que você tem me dado! Sucesso no seu trabalho também!
Até mais!!!